CADEIRA 26

Marcel Boiron

Nasceu em 1904 em Saint Etienne na França, filho de Benoir Boiron e Marie Jane Boiron. Veio para o Brasil ainda jovem em companhia de seus pais e dois irmãos – Charles e Antoine -, tendo a família se radicado na cidade de São Paulo onde havia uma colônia francesa.

Em São Paulo, Marcel se especializou em química industrial na área de couros e peles trabalhando em grandes curtumes da capital paulista. Desde muito cedo aflorou sua vocação artística, participando de peças de teatro naquela cidade. Casou-se com a senhora Lydia Claes de nacionalidade belga com a qual teve uma filha, Marcella Boiron. Em 1945, foi convidado pelos proprietários do curtume Santa Cruz em Alagoinhas para exercer sua especialidade na área curtumeira e nessa cidade passou a residir. Tendo falecido sua primeira esposa, Lydia, casou-se mais tarde com a senhora Jurandir Boiron, cuja união nasceram seus filhos Suely, Nelson, Geny, Marcel e Ivone.

Seu grande amor às artes teatrais o motivou a criar na mesma cidade o “Grêmio dramático Santa Cruz” com o apoio e patrocínio de figuras importantes da sociedade local em 1947. O Grêmio Dramático teve papel destacado pelas suas belas e bem montadas peças, cujos cenários eram preparados com dedicação e esmero pelos membros do grupo. No palco do tradicional Cine Popular de propriedade do senhor Benigno Martins, ele apresentava suas peças. Tempos depois, as apresentações eram feitas no palco do salão Cid Bastos sendo a renda totalmente revertida em benefício da construção da Igreja de São Francisco. Entre seus dramas e comédias:” O Louco da Aldeia” (drama), “O Mártir do Gólgota” (drama), “Alma Sertaneja” (drama), “A Alma do outro Mundo” (comédia), “A Filha do Estalajadeiro” (drama), “A Noiva e a Égua” (comédia), “Etelvina” (comédia), “Lágrimas de Mãe” (drama). Além das apresentações teatrais apresentava também shows de arte ilusionista, pois, era um grande mágico. Homem de personalidade alegre e carismática, inaugurou em Alagoinhas uma nova época na arte teatral despertando a participação de muitos jovens que vieram a compor o Grêmio de Santa Cruz a exemplo de: Antônio Vergasta de Jesus, Maria Lúcia Campos, Clotilde e Maria Pereira, Licínio, Luciano e Auzenda Cardoso, Normandia Azi além da participação dos senhores João de Deus Costa conhecido por João Vermelho, Vitor Lourenço, Oldemar Cunha, dentre muitos outros. Além das apresentações em Alagoinhas, o grupo se apresentava em outras cidades da Bahia e Sergipe sendo acompanhado pelo pujante e popular conjunto Azes da Melodia, composto também por jovens e senhores de Alagoinhas.

Em 1957, voltou para São Paulo com a sua família ficando a lembrança alegre e saudosa dos bons tempos. Nunca perdeu o contato com Alagoinhas. Voltava todos os anos para passar as festas de fim de ano com sua filha e netos e rever os muitos e queridos amigos.

Faleceu em 1975 na cidade de São Paulo. Sua figura foi tão marcante que sua memória permanece nitidamente viva no coração dos seus familiares e amigos.

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