Maura Cardoso faleceu, em Alagoinhas, em 1992. Teve uma vida dedicada ao serviço social, embora não fosse assistente social, nem representante oficial de qualquer instituição. Mas, sua história de luta, em favor das pessoas que tinham questões trabalhistas, ganha destaque pela forma como buscava meios de resolver os problemas, na justiça, no INSS, no campo executivo. Conversava com advogados amigos e com o próprio juiz. Assim, fez amizade com o Dr. Eurico Boaventura, um juiz que era poeta, muito humano, e que manteve, com Maura uma relação forte de consideração e de respeito pelo trabalho que ela realizava. Ela era advogada, sem ter estudado Direito. Uma verdadeira Rubia. Alagoinhas tinha muito orgulho dessa mulher extraordinária que saía e descia com várias pastas debaixo do braço, procurando os escritórios, as instituições, as repartições públicas, cuidando da vida dos empregados, dos aposentados, das pensionistas etc. Era casada, pela segunda vez, quando Iraci a conheceu. Teve dois filhos do primeiro casamento e cinco, do segundo. Criou todos com seu espírito de solidariedade e fraternidade. A ditadura militar prendeu Maura, e a comunidade alagoinhense lamentou seu sofrimento, mas ela retornou, sem perder o entusiasmo no servir, e com o mesmo espírito de dedicação e solidariedade. Esse é, por isso mesmo, o maior legado de Maura Cardoso: o senso de humanidade e a força do empenho pessoal.
