Marijócomo era conhecida,é natural de Alagoinhas-BA, nascida em 21 novembro de 1912. Diplomou-se professora primária, lecionando em Senhor do Bonfim, Aramari e Alagoinhas.
A sociedade alagoinhense daquela época, não concebia que uma mulher participasse de reuniões e só podiam sair em companhia de seus pais da pacata, patriarcal e machista cidade. Foi perseguida política e ideologicamente.
O período que aqui lecionou foi uma verdadeira fomentadora de atividades culturais. Saía com seus alunos para as ruas e organiza tardes literárias em praças públicas. O nome por ela dado à estas tardes foi “Tarde dos Brotinhos”. Foi a primeira mulher à frente de um programa de rádio e Miss Micarême de Alagoinhas. Com todos estes atributos e atitudes pertinentes a sua personalidade, balançou os alicerces da sociedade alagoinhense. Depois de concluir, em Salvador, um curso intensivo de biblioteconomia, fundou em sua cidade a primeira Biblioteca Municipal “Biblioteca Escolar Rui Barbosa”, tendo sido em Alagoinhas, a pioneira em biblioteconomia.
Além de professora primária, foi bibliotecária, jornalista, trovadora, cronista, poeta, conferencista e romancista. Alagoinhas tornou-se pequena para abrigá-la. Partiu para a capital do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, época em que Dr. Ernesto Simões Filho era Ministro da Educação e Cultura, o qual lhe facultara uma bolsa de estudos em biblioteconomia. Ingressou, mediante concurso, na Prefeitura do ex-Distrito Federal, participando do quadro da Biblioteca Regional de Copacabana. Após exercer por muito tempo, o cargo de Diretora da Biblioteca Popular da Gávea (hoje Leblon), integrou-se, também, no serviço público federal, no MEC, dirigindo durante muitos anos a Equipe de Processos Técnicos do INEPE, no Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais. A sua vida literária iniciou na imprensa baiana, colaborando com colunas sociais, crônicas e comentários gerais nos jornais de cidades circunvizinhas. Integrou a direção da Revista Única, sendo então, a primeira mulher a participar diretamente da elaboração, formatação e decisões, sobre uma das revistas mais importantes para a imprensa baiana e brasileira. Detentora de muitos votos de congratulações e títulos honoríficos, figura entre eles, o de Cidadã do Estado de Guanabara e Rua Professora Maria Feijó, Alagoinhas.
Foi detentora de vários cursos de aperfeiçoamento cultural e profissional, sendo ainda integrante de algumas entidades literárias como: Academia Castro Alves de Letras, Academia Conquistense de Letras, Academia Petropolitana de Poesia, Academia de Letras Municipais do Brasil, Associação dos Diplomados da Academia Brasileira de Trova, Academia Anapolitana de Filosofia, Ciências e Letras, Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, cad. 12 – Vinícius de Moraes, Sociedade Unificadora de Professores Primários, Delegada Regional no Rio de Janeiro, Casa do Poeta Rio-grandense, Grêmio Literário dos Centenários, Associação Cristã Feminina, Instituto de Professores Públicos e Particulares, Associação Brasileira de Educação, União Brasileira de trovadores, Conselho Regional de Biblioteconomia, Associação Brasileira de Imprensa. Possuiu vários títulos honoríficos como: Honra ao Mérito-Diploma e Medalha de ouro pelo Movimento Político-Nacional, Cidadã do Estado da Guanabara, Rua Professora Maria Feijó (Alagoinhas), Cidadã do Estado do Rio de Janeiro. Além de muitas moções recebidas pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Suas produções literárias constam de 28 obras publicadas pela editora Max. As temáticas são variadas, mas, a sua terra natal, “Alagoinhas”, em todas as suas obras é homenageada. O seu único romance publicado que é composto por 800 páginas intitulado “Pelos Caminhos da vida de uma professora primária”, juntamente com os exemplares de “Bahia de Todos os Meus Sonhos”, “Perfil da Bahia” e ‘Alecrim do Tabuleiro” integram a Biblioteca do congresso de Washington, os quais foram solicitados por essa entidade. Para promover publicações e eventos culturais, fundou o CLAM (Centro Literário e Artístico Marijó), através do qual, angariava fundos para manter e promover encontros literários entre amigos. As obras (livros) por ela produzidos, foram concebidos em uma espécie de “exílio” de sua amada Alagoinhas. Os lançamentos ocorriam em várias cidades de estados diversos, contudo, Alagoinhas sempre era contemplada com a visita da poeta e lançamento de suas obras. Em dezembro de 2000, lançou no Pelourinho, em Salvador, e depois no Mercado do Artesão em Alagoinhas, “A canção azul do tempo” que devido à grande repercussão positiva na sociedade, causou-lhe fortes emoções que culminaram em um derrame de fundo emocional.
Maria Feijó, Marijó, Moreninha Bamba de Alagoinhas, veio a falecer em sua residência, na cidade do rio de Janeiro em 04 de junho de 2001, tendo seu corpo transladado para Alagoinhas e sepultado em 06 de junho de 2001. Encontra-se em poder de Madalena, sua dama de companhia, todo o seu espório que inclui 2 obras inéditas acabadas, revisadas, porém não publicadas, sendo que uma delas é um segundo romance, intitulado: “Foi tudo por amor”.
